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Matriz de Eisenhower: como definir prioridades

· 7 min de leitura

Post-its organizados numa grade certinha na parede
Foto: Kelly Sikkema no Unsplash

Quatro quadrantes que ajudam a entender o que atacar primeiro e o que dá para riscar sem culpa. E uma pequena nota histórica: a rigor, quem inventou não foi Eisenhower.

Quando a lista tem vinte tarefas e todas parecem estar pegando fogo, o que costuma sair feito é o que grita mais alto. Um colega manda “consegue dar uma olhadinha rapidinho?”, e lá está você olhando (nunca é rapidinho), enquanto o relatório de que depende o trimestre espera, paciente, pela sexta à noite.

A matriz de Eisenhower talvez seja a técnica de gestão do tempo mais simples que existe: ela ajuda a definir prioridades separando o urgente do importante. As duas coisas não são iguais, e é aí que está toda a graça.

O que é a matriz de Eisenhower

É uma tabela com quatro quadrantes. Cada tarefa passa por duas perguntas: é importante? É urgente?

  • Importante é o que leva você aonde realmente precisa chegar: os estudos, a saúde, um trabalho do qual algo depende de verdade, as pessoas próximas.
  • Urgente é o que pede atenção agora mesmo: o prazo está estourando ou alguém espera uma resposta.

Duas perguntas dão quatro combinações, e cada uma pede uma receita diferente.

Os quatro quadrantes: fazer, agendar, delegar, eliminar

A matriz inteira cabe numa tabelinha:

QuadranteO que éO que fazerExemplo
Urgente e importanteincêndios com consequênciasfazer agoraprova amanhã
Importante, mas não urgenteo que faz você avançaragendar, com prazoexercício, estudo, um projeto grande
Urgente, mas não importanteas urgências dos outrosdelegar ou fazer em loteligações, “dá uma olhadinha?”
Nem urgente nem importanteladrões de tempoeliminarrolar o feed sem fim

Urgente e importante: faça agora

São os incêndios. Precisam ser apagados, mas quem mora só neste quadrante vive numa correria sem fim. E muitos incêndios já foram, um dia, tarefas tranquilas do segundo quadrante: só esperaram demais pela vez delas.

Importante, mas não urgente: o quadrante principal

Aqui mora tudo o que faz o planejamento valer a pena: saúde, estudo, relacionamentos, grandes objetivos. Essas tarefas não têm prazo, então perdem para qualquer coisa “pra ontem”. Stephen Covey, que desenhou a matriz no formato que todo mundo conhece, considerava este o quadrante mais importante. O melhor jeito de proteger essas tarefas é dar a elas um prazo próprio e um lugar no plano do dia.

Urgente, mas não importante: as urgências dos outros

Ligações, pequenos favores, “dá uma olhadinha?”. São urgentes para outra pessoa, mas não levam você mais perto dos seus objetivos. O que der, delegue. O que não der, faça em lote num horário reservado, e não um por um, a cada vez que alguém chama.

Nem urgente nem importante: elimine

O feed infinito, o terceiro episódio seguido, reorganizar as pastas da área de trabalho. Descanso não entra aqui, porque descanso é importante. Aqui entra o que deixa você sem nada feito e sem nenhuma energia a mais.

Quem criou a matriz de Eisenhower

A rigor, não foi Eisenhower. Em 1954, o presidente dos Estados Unidos discursou em Evanston, no estado de Illinois, para o Conselho Mundial de Igrejas, e repetiu a frase de alguém que chamou apenas de “um ex-presidente de universidade”, ou seja, um ex-reitor: “Tenho dois tipos de problemas: os urgentes e os importantes. Os urgentes não são importantes, e os importantes nunca são urgentes”. Quem era, ninguém sabe ao certo. A frase costuma ser atribuída a J. Roscoe Miller, reitor da Northwestern University, onde a assembleia aconteceu, mas na época Miller continuava no cargo, ou seja, ainda não era ex-reitor. O próprio Eisenhower, aliás, dirigiu a Universidade Columbia até 1953.

Quem desenhou os quatro quadrantes foi Stephen Covey, bem depois, no livro Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, de 1989. Então seria mais justo falar em “matriz de Covey, em homenagem a Eisenhower”, mas o nome já pegou.

Exemplo de matriz de Eisenhower com uma lista de verdade

Digamos que é noite de domingo e na sua cabeça está rodando esta lista:

  • estudar para a prova de terça;
  • responder no grupo da viagem quem leva o quê;
  • começar a correr;
  • terminar a série;
  • marcar dentista, porque o dente já anda dando indiretas;
  • refazer a apresentação que pediram “para amanhã”.

Distribuindo pelos quadrantes:

  • Urgente e importante: a prova de terça e a apresentação para amanhã. Esse é o plano da segunda-feira.
  • Importante, mas não urgente: a corrida e o dentista. Precisam de prazos próprios, senão vão esperar para sempre. Se bem que o dentista, a julgar pelas indiretas do dente, já está de mudança para o primeiro quadrante.
  • Urgente, mas não importante: o grupo da viagem. Dá para responder em dois minutos, entre uma coisa e outra.
  • Nem urgente nem importante: a série. Não precisa riscar de vez: guarde como prêmio para depois da prova.

Erros comuns

  • Tudo é urgente e importante. Se o primeiro quadrante tem vinte tarefas, o que quebrou não foi a vida, foi a avaliação. Uma pergunta sincera ajuda: o que acontece se isso não for feito?
  • Confundir barulho com importância. Quanto mais insistente o lembrete, maior a tentação de tratá-lo como prioridade.
  • Esquecer o segundo quadrante. Ele não grita, por isso as tarefas dele passam anos no modo “um dia eu faço”.
  • Desenhar a matriz uma vez por semestre. Ela precisa ser revista sempre que a lista muda. Pode ser toda manhã: é coisa de um minuto.

Modelo de matriz de Eisenhower: como usar todo dia

Não precisa baixar nenhum modelo de matriz de Eisenhower: quatro quadrantes se desenham em qualquer pedaço de papel em um minuto. Dá até para dispensar o papel, porque em quase todo aplicativo de tarefas a importância é a prioridade, e a urgência é o prazo.

No StarDo, toda tarefa tem as duas coisas: prioridade, de “Baixa” a “Crítica”, que aparece como uma bolinha colorida, e prazo. A lista agrupa as tarefas por prazo, de “Hoje” a “Mais tarde”, então o urgente fica sempre em cima, e o importante se reconhece pela cor. Para o segundo quadrante, aquele que vive esperando, existe a promessa: quando “começar a correr” ganha prazo e preço, deixa de ser “um dia eu faço”. E se você prefere manter tudo no próprio mensageiro, o Telegram oferece alguns jeitos de montar uma lista de tarefas com recursos que ele já tem.

Perguntas frequentes

A matriz de Eisenhower serve para os estudos?

Serve, e muito. Em época de provas, a prova de amanhã e a entrega do trabalho ficam no primeiro quadrante, e o estudo regular, no segundo. Quanto mais tarefas do segundo quadrante saem no tempo certo, menos incêndios aparecem no primeiro.

Qual a diferença entre a matriz e uma lista de tarefas comum?

A lista responde “o que fazer”, e a matriz, “em que ordem, e se vale a pena fazer”. As duas funcionam melhor juntas.

Experimente distribuir a sua lista agora mesmo. O mais provável é que o primeiro quadrante fique com menos tarefas do que parecia, e o segundo, com aquilo que você vem empurrando há tempos.

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